* Marcelo Oliveira Sá
A prática de colocar um produto no mercado exige muitas etapas, que incluem o trâmite de aquisição das matérias-primas (nem sempre tranqüilo), passa pelo desafio de encontrar o sistema ideal de produção e pelo processo de embalagem e etiquetagem, e termina com a distribuição e comercialização do produto.
No Brasil, a simples formatação de um rótulo é bastante complexa. No caso dos alimentos, por exemplo, o rol de obrigatoriedades inclui informações sobre os ingredientes utilizados, as datas de fabricação e validade, a presença de certos elementos, como o glúten, e os fatores nutricionais, incluindo as calorias. A organização que não obedecer às múltiplas normas e exigências poderá sofrer de advertências a multas, conforme a gravidade do caso. A fiscalização fica por conta de diversos órgãos governamentais e independentes.
Depois desse processo, que envolve custos elevados, é preocupante que muitas empresas não observem os cuidados necessários na etiquetagem. Uma pesquisa coordenada pela GS1 Brasil no início de 2008 revelou que o uso de códigos de barra com defeitos ou fora dos padrões estabelecidos internacionalmente acarreta a perda de 26% da produtividade na rede de varejo.
Essa perda ocorre devido a vários fatores. Por exemplo: quando a leitura do código de barras apresenta falhas na primeira passagem, o operador perde cerca de meio minuto para resolver o problema. Como conseqüência, as filas aumentam e os clientes se irritam com a demora.
O estudo traz também um dado preocupante: um em cada cinco consumidores que freqüentam supermercados já teve aborrecimentos com códigos de barras de baixa qualidade.
Muitas têm sido as medidas voltadas à minimização dos transtornos ocasionados por possíveis erros na impressão dos códigos. Um deles é o programa de Certificação de Códigos de Barras, que verifica e atesta a qualidade dos códigos aplicados a itens comerciais e unidades logísticas. Os códigos que recebem a certificação são aqueles que apresentam um desempenho 100% satisfatório na leitura. A aprovação é emitida pelo Laboratório de Verificação de Símbolos da GS1 Brasil.
Vale lembrar que os sistemas de códigos de barras são adotados em escala mundial, por mais de um milhão de empresas, atuantes nos segmentos de varejo, saúde, transporte, alimentação, embalagem, e têxtil, entre outros. Estima-se que cinco bilhões de códigos de barras sejam lidos diariamente, no mundo inteiro. Só no Brasil, cerca de dois milhões de produtos são codificados.
Desse modo, o código de barras firma-se como uma linguagem à parte, que permite uma compreensão universal e livre de quaisquer barreiras.
Num contexto globalizado, em que o intercâmbio comercial é intenso, o uso de uma linguagem integrada entre os parceiros de negócios de diversos países destaca-se como um dos elementos essenciais para a conquista de bons resultados. E, para a empresa brasileira, que enfrenta obstáculos diversos para consolidar sua presença no mercado, a etiquetagem eficiente e feita com acuidade pode representar a diferença entre o fracasso e o sucesso na conquista de um espaço no competitivo mercado.
Marcelo Oliveira Sá – Assessor da Célula de Soluções de Negócios da GS1 Brasil







